Escolher o tamanho certo de uma máquina CNC não é “pegar a maior para garantir”. O ideal é comprar uma CNC que comporte sua peça e seu jeito de produzir, sem pagar por curso e capacidade que você não vai usar. Para decidir com segurança, você precisa olhar para quatro pontos: dimensão da peça, fixação, curso útil da máquina e movimentos que a ferramenta precisa fazer.

A primeira coisa é entender o que realmente importa: não é só o tamanho da peça “solta”, e sim o tamanho da peça já presa. Uma peça de 400 mm pode virar “maior” quando você coloca morsa, castanhas, placa, garras, paralelas, zero peça, apoio e até batente. Por isso, sempre considere o conjunto completo: peça + fixação + espaço para a ferramenta trabalhar.


Meça do jeito certo

Comece anotando as medidas máximas da peça:

  • comprimento, largura e altura (ou diâmetro e comprimento, se for peça de torno)

Depois pense na fixação:

  • vai usar morsa? placa? garras? dispositivo especial?
  • a peça precisa ficar alta (calçada) para liberar a ferramenta?
  • vai precisar virar a peça e usar a mesma fixação?

Esse “extra” da fixação é o que mais faz gente errar o tamanho da CNC. Na prática, é comum precisar de alguns centímetros a mais só para prender e liberar o movimento da ferramenta.


Entenda o que é “curso” da máquina

Em centro de usinagem, o tamanho normalmente é definido pelos cursos X, Y e Z:

  • X e Y definem a área útil para trabalhar em cima da mesa
  • Z define o espaço para a ferramenta descer, mais a altura da peça e da fixação

Em torno CNC, o tamanho geralmente está ligado a:

  • diâmetro máximo que a máquina suporta
  • comprimento útil de usinagem
  • passagem do eixo (quando a peça passa pelo eixo árvore do torno)

O ponto aqui é simples: a máquina precisa ter curso para alcançar todos os lados e alturas que você vai usinar, sem ficar “no limite”.


Um jeito simples de calcular o tamanho mínimo

Pense assim: a máquina precisa caber o seu maior caso (a maior peça que você realmente vai fazer).

  • Para centro de usinagem: pegue a sua maior peça e some o espaço da fixação. Depois, garanta que ainda sobre margem para a ferramenta se mover. Se ficar justo, a chance de travar processo e perder tempo sobe muito.
  • Para torno: considere o maior diâmetro e o maior comprimento que você faz com frequência. Se você trabalha com barras, a passagem do eixo árvore pode ser decisiva.

Não precisa exagerar na margem, mas também não compre “contando milímetro”. Uma folga razoável evita improviso e retrabalho.


Erros comuns na escolha

O mais comum é escolher a CNC olhando só o tamanho da peça e esquecer a fixação e o Z. Outro erro é comprar uma máquina grande demais sem necessidade: ela ocupa mais espaço, exige mais investimento e muitas vezes não melhora sua produção se o seu trabalho é pequeno e repetitivo.


Conclusão

O tamanho ideal da CNC é aquele que comporta a maior peça com a fixação, permite movimento da ferramenta com folga e faz sentido para o seu tipo de produção. Se você decidir com base no seu “pior caso real” e não só no “tamanho no papel”, você evita erros.

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